segunda-feira, 26 de junho de 2023

PORTALEGRE: Projeto “Cultura nas Freguesias”, muita música e animação nas Freguesias de Portalegre, de julho a setembro


A segunda edição do projeto “Cultura nas Freguesias” decorrerá de julho a setembro, tendo espetáculos nas sete freguesias do concelho de Portalegre, com diversos estilos musicais, desde fado e bandas filarmónicas, ao gospel, música tradicional e animação de rua.
Serão 11 concertos, ao final da tarde e nas noites de verão, com música ao vivo e muita animação, todos com entrada gratuita, que prometem aproximar e alegrar as pessoas do concelho.
O primeiro espetáculo, “Um Xaile e Duas Guitarras”, decorrerá no dia 1 de julho, às 21h30, no Polidesportivo de Urra, com o Fado na voz de Dina Valério e de Luís Lourenço, acompanhados por Nuno Cirilo, na guitarra portuguesa e por Joaquim Ferreira, na viola.
O Convento de Santa Clara receberá o segundo espetáculo, “Vozes nos Claustros”, no dia 7 de julho, às 21h30, com o Orfeão de Portalegre e a soprano Filomena Silva, acompanhada por Rui Ramos, Álvaro Dias e José Raimundo, professores da Escola de Artes do Norte Alentejano.
Dia 15 de julho, às 21h30, a Orquestra Comfusão trará à Piscina do Reguengo um repertório variado e temas originais, numa noite de jazz, bossa nova, soul music e música ligeira.
No fim-de-semana de 21 e 22 de julho, é a vez de Alegrete receber dois espetáculos no Largo da Praça: dia 21, às 21h00, atuará O Semeador - Grupo Cantares de Portalegre e, no dia 22, a Trupe Euterpe começará a sua animação de rua, pelas 19h00.
O mês de agosto trará no dia 5 um sunset de verão com Os Sabugueiros, músicos viajantes que trazem ritmos de todo o mundo, na Piscina da Quinta da Saúde, pelas 18h00.
No dia 1 de setembro, às 21h30, o espetáculo “Diferentes Sonoridades, uma Tradição” será apresentado na Piscina da Ribeira de Nisa, pelas 21h30, com o Quarteto em Mim e as vozes de Raquel Maria e João Vaz, um registo atual do universo do Fado.
São Julião recebe, no dia 3 de setembro, pelas 16h00, a tradicional participação da Banda da Sociedade Recreativa de Póvoa e Meadas, numa tarde de muita música e animação.
Dia 16 de setembro, às 19h00, no Miradouro da Fonte dos Carvoeiros, nas Carreiras, não perca o concerto de Cátia Reixa, e o seu pop e rock suave.
No mesmo dia, mas no Largo da Boavista, nos Fortios, pelas 21h30, assista ao espetáculo “Vozes do Fado”, com os cantores Dina Valério e Pedro Calado, acompanhados por Bruno Mira, na guitarra portuguesa, Miguel Monteiro, na viola e Carlos Menezes, no contrabaixo.
O projeto “Cultura nas Freguesias” terminará no dia 29 de setembro, pelas 21h30, com a atuação do eclético e surpreendente grupo vocal CAEP VOICES, no Largo do Rossio, na Alagoa.
A “Cultura nas Freguesias” é uma iniciativa organizada pela Câmara Municipal de Portalegre, em parceria com a Junta de Freguesia de Alagoa, Junta de Freguesia de Alegrete, Junta de Freguesia de Fortios, Junta de Freguesia de Urra, União de Freguesias de Reguengo e São Julião, União de Freguesias de Ribeira de Nisa e Carreiras e União de Freguesias da Sé e São Lourenço.
Para mais informação, consulte as redes sociais do Município de Portalegre e o portal, em https://www.cm-portalegre.pt/.

POLÍTICA: Deputado do PCP João Dias realiza visita ao distrito de Portalegre dedicada às questões das infraestruturas e da saúde

O Deputado do PCP na Assembleia da República, João Dias, realizará um conjunto de visitas e contactos, no distrito de Portalegre, dedicadas às questões das infraestruturas e da saúde.
Este conjunto de visitas, para a qual se convidam os órgãos de comunicação social, realizar-se-á esta terça-feira, dia 27 de Junho de 2023.
O deputado João Dias, acompanhado de uma delegação do PCP, que inclui vários dirigentes da DORPOR do PCP e eleitos, deslocar-se-á aos locais destruídos pelas cheias em Dezembro do ano passado, que continuam com atrasos na sua resolução, nos concelhos de Monforte e Fronteira e, ao final do dia, participará numa Tribuna Pública, em Avis, a propósito do encerramento da Extensão de Saúde de Alcórrego.
Programa
10h00 – Visita à Estrada Nacional 243, entre Monforte e Fronteira
11h00 – Visita à Ponte sobre a Ribeira Grande, em Fronteira
15h30 – Visita à Estrada Municipal 508, entre Cano e Avis
18h00 – Tribuna Pública «Em Luta pela reabertura da Extensão de Saúde de Alcórrego», em Avis

sexta-feira, 23 de junho de 2023

Castelo de Vide assinala 79 anos de nascimento de Salgueiro Maia

 

PÉ DA SERRA E VINAGRA VOLTAM A ESTAR EM FESTA!

 
As Festas de São Simão e Vinagra estão de volta, com novas datas e 5 dias de pura diversão!
De 3 a 7 de agosto, vamos animar as aldeias do Pé-da-Serra e da Vinagra. Marca já na tua agenda! 🎉🎉
Em breve, partilharemos mais detalhes

segunda-feira, 25 de julho de 2022

MEMÓRIA: Zeca Afonso nas Festas de S. Simão (1980)

 

Já aqui se disse: nos anos 70 e 80 não havia a profusão de meios tecnológicos hoje existentes. Poucos tinham máquinas fotográficas, o digital estava ainda a "anos-luz" e não admira, por isso, que não se conheçam registos fotográficos da actuação de José Afonso em Pé da Serra.
O próprio ano do espectáculo (1980?) não figura no "cartaz", um documento rudimentar, feito em "cima do joelho". Foi uma actuação a todos os títulos notável, não apenas pela presença do Zeca - já com alguns sintomas da doença que o viria a vitimar - mas pelo conjunto de artistas que com ele viajaram até ao extremo norte do Alentejo: Fausto, Júlio Pereira ( com uma das pernas engessada devido a acidente) e Janita Salomé.
Num largo das festas apinhado de gente, José Afonso cantou e falou (falou mais do que cantou) explicando as diferenças musicais e etnográficas entre algumas regiões do país, focando, naturalmente, o Alentejo (das saias e do cante) e a Beira Baixa (dos ferrinhos, bombos e adufes).
As fracas condições acústicas, o palco improvisado, a falta de meios técnicos - hoje abundantemente desfrutados por qualquer "artista pimba" - não retiraram brilhantismo ao espectáculo, antes contribuiu para aproximar os músicos e cantores do público.
Há 30 anos, o Pé da Serra já se destacava pela grandiosidade e colorido das suas festas tradicionais, trazendo até nós grandes artistas e excelentes espectáculos a que não faltavam uma grande participação popular. Foi esse o "cenário" que José Afonso e os seus amigos aqui encontraram e que hoje recordamos.
Aproveitamos a oportunidade para deixar um apelo: se alguém tiver alguma foto desta actuação, pedimos que as envie para publicação, desde já agradecendo a colaboração.

S. SIMÃO: Obras na Freguesia

A Câmara Municipal de Nisa, está a calcetar uma pequena parte rente à estrada entre o início da Rua da Escola e o fontanário.
A curva da estrada, junto ao campo de futebol, também já conhecida pela curva do "bate-bate", já foi cortada e alargada, faltando apenas ser calcetada ou levar o respectivo alcatrão.
No edifício onde funcionam a Junta de Freguesia e o Centro de Dia, o chão da sala no piso superior está em muito mau estado, vai ser arrancado e colocado outro de novo, cujos materiais serão suportados pela Junta de Freguesia e a mão de obra pela Câmara.
José Hilário - 3/1/2013

JOSÉ MIGUÉNS: Vida e memória de um resistente

José Lopes Valente Miguéns, o ti Vara, faleceu no passado dia 2 de Abril, numa instituição de Vila Velha de Ródão, onde se encontrava desde há algum tempo, após ter sido acometido de grave doença.
Morreu em Abril, o cidadão, o autarca, o militante comunista que mais fez pela sua terra e freguesia, S. Simão – Pé da Serra, após o 25 de Abril.
O povo da sua terra e do concelho de Nisa, que amou como poucos, tributou-lhe uma sentida e vibrante homenagem de despedida no dia seguinte, incorporando-se no seu funeral centenas e centenas de pessoas, amigos, autarcas, cidadãos anónimos de todo o concelho.
O seu percurso como cidadão, resistente e autarca foi devidamente assinalado pelo actual presidente da Junta de Freguesia de S. Simão, José Hilário, que destacou a dedicação, o dinamismo e o contributo de José Lopes Miguéns para o desenvolvimento da freguesia e na implantação de infra-estruturas básicas como a água, o saneamento básico e as vias de comunicação.
É este o “homem de Abril” que aqui evocamos, hoje, tendo como referência uma entrevista feita num fim de tarde de Verão, já lá vão uns anitos.
José Lopes Valente Miguéns, o Ti Vara, tinha 81 anos e um percurso de mais de 25 anos como autarca.
O Ti Vara, foi uma figura emblemática do Pé da Serra e de todo o extremo norte do concelho de Nisa, conversador nato, alegre, bem disposto, sempre disponível para trazer ao presente, histórias, relatos, memórias, que tanto podiam falar dos tempos difíceis da emigração e do salazarismo, como da "fama vermelha" do Pé da Serra.
Uma "fama" que, segundo alguns habitantes, sem razão de ser, apenas justificada pelo desejo de aprender de muitos jovens do seu tempo e pelo ostracismo a que a freguesia era votada pelos "senhores de Nisa".
Guardador de rebanhos
José Miguéns andou na escola no Pé da Serra onde fez a 4ª classe, tendo a D. Georgete como professora. Acabada a escola tomou o rumo de outros companheiros seus, fez-se à vida, que esta era dura e de poucos proventos. Foi para Cabeço de Vide, servir como empregado de balcão (caixeiro) numa mercearia e taberna. Esteve lá dois anos, em casa do senhor José Marcelino Malheiro, após o que voltou para o Pé da Serra. Aqui, aguardava-o o trabalho mais comum para uma criança feita homem em três tempos: a de guardador de vacas em Montes de Matos, função que desempenhou durante um ano. Na aldeia foi guardador de rebanhos, borregos, porcos, até completar a maioridade.
Era a vida de quase toda a gente nesse tempo e como se ganhava pouco, resolveu alistar-se como voluntário e assentar praça na vida militar, em Tomar. Andou na tropa um ano e alguns meses. Regressou ao ponto de partida, a sua aldeia encostada à serra de S. Miguel, onde continuou a trabalhar por conta de outrem, a cortar azinheiras e a fazer carvão.
Uma vida dura, a de carvoeiro, conforme teve ocasião de nos explicar.
"No Pé da Serra havia três ou quatro negociantes de carvão. Nós derrubávamos as azinheiras, cortávamos as pernadas e fazíamos os fornos, que eram feitos com terra. Depois eram desaterrados e tirávamos o carvão. Era um serviço de grande dureza. Nessa altura já estava casado. O carvão saía daqui com destino a vários sítios desde o Entroncamento, Lisboa, Castelo Branco e outras localidades. Havia muita procura desse material. Este trabalho era sazonal e no Inverno ia trabalhar para o lagar. Andei assim durante vários anos, até que meti na cabeça ir para França."
A "salto" rumo a França
Puxando pela memória, o "Ti Vara" conta as aventuras e desventuras da ida para a França, a salto.
"Demorámos 18 dias a chegar. Fomos abandonados pelo passador, durante três ou quatro dias, sem saber o que fazer, escondidos num barracão, a poucos quilómetros da fronteira espanhola, próximo de Medelim, mas, felizmente, não desesperámos e às tantas lá apareceu o homem com um camião que nos transportou Espanha adentro. No camião iam cento e tal pessoas, de várias terras do país, parecíamos sardinha em lata. Durante a viagem que demorou mais de 12 horas, nunca parámos nem para urinar, tínhamos que o fazer para dentro de um bidon. Quando chegámos a Hendaia, já na França, deram-nos um bilhete de comboio para irmos até Paris e que cada um se desenrascasse. Em Paris, numa grande cidade e sem perceber uma palavra de francês, lá consegui alugar um táxi que me foi pôr e ao outro camarada à região de Dijon, no departamento 21, onde havia malta do Pé da Serra. Um dos conterrâneos emprestou-me o dinheiro para pagar o táxi e o primeiro ordenado que recebi em França foi para lhe pagar a ele. Era assim que as coisas funcionavam. Lembro-me que paguei sete contos e quinhentos ao passador, o que era muito dinheiro naquela altura.
Comecei a trabalhar na agricultura, a tratar de gado. Depois fui para a construção civil como servente de pedreiro. Ali aprendi alguma coisa e comecei a desenrascar-me nalguns trabalhos nesta profissão".
Da França para a Alemanha
Estava dado o primeiro passo rumo à independência económica e a melhores condições de vida. Perdidas as reticências iniciais, José Miguéns ruma até à Alemanha.
"Na França não se ganhava mal, mas na Alemanha o ordenado e as condições ainda eram melhores. Arranjei um contrato de trabalho e fui para Colónia. As principais obras onde trabalhei eram as do Metropolitano. As dificuldades eram a língua, mas havia muitos portugueses e nós, uns com os outros, íamos desenrascando. Estive três anos na Alemanha, e gostava de trabalhar naquele país e depois tive de decidir porque a minha filha tinha saído professora e havia que escolher entre a Alemanha e Portugal, e assim regressei ao Pé da Serra, retomando a vida de pedreiro por conta própria.”
As ideias políticas
Próxima do Tejo e da raia, o Pé da Serra sempre foi uma terra de emigrantes e de contactos com outros povos, nomeadamente no período da guerra civil espanhola (1936-1939). Denominados como “montezinhos”, os seus habitantes não caíram nas boas graças do poder municipal de Nisa e daí a haver alguma discriminação e ostracização política foi um pequeno passo.
José Miguéns rejeita a ideia de a freguesia ter sido um centro de ideias revolucionárias, antes do 25 de Abril.
"Nós aqui não tínhamos, propriamente, ideias políticas. O que havia era uma malta que gostava de ler, de aprender, de se informar e depois começávamos a perguntar. Por outro lado, sentíamos que havia discriminação da Câmara de Nisa para com a freguesia de S. Simão. Até ao 25 de Abril, tínhamos uma estrada miserável, cheia de buracos, em terra batida. Não tínhamos praticamente mais nada e não se faziam aqui obras. Hoje, felizmente, é bem diferente..."
"O grande empurrão foi, sem dúvida, a campanha das eleições para a presidência do general Humberto Delgado. Aqui no Pé da Serra, o Humberto Delgado tinha muito apoio e estou convencido que perdemos as eleições, tanto aqui, como no país, porque houve "marosca". Eu andei a colar os cartazes da campanha, tinha montes deles em casa. Quando foi no dia das eleições, os elementos da mesa eleitoral, que vieram de Nisa não me deixaram entrar para fazer o meu trabalho de delegado. Eu sentei-me numa janela em frente à Junta e ia descarregando num papel, todas as pessoas que iam votar. Pelas minhas contas a vitória não falhava, mas as contas eram feitas de outra maneira...
Eu ia a Nisa buscar os cartazes que me dava o Dr. Chambel, um dos maiores democratas que Nisa tinha e foi tão injustamente esquecido, e um dia ele disse-me: " Ainda não foi desta vez que ganhámos, mas esteve quase. Para a próxima não falha, pois isto não pode assim continuar. Se todos fossem como tu, outro galo cantaria".
Havia alguma consciência política, de esquerda e em 1973, na Alemanha fui votar com a minha mulher na CDE, por correspondência, ao consulado de Dusseldorf.
Na Alemanha e antes do 25 de Abril estava já organizado, reuníamos na sede do DKP (Partido Comunista Alemão) e eu fazia a distribuição nos fins-de-semana ou após o trabalho, de exemplares do "Avante" aos nossos compatriotas."
O regresso e a eleição como autarca
Após o regresso da Alemanha, já com o "bichinho da política" e a liberdade alcançada, foi sem surpresa que José Miguéns se viu no papel de presidente da Junta de Freguesia.
"Quando vim para Portugal, foi engraçado porque um dos meus encarregados, alemão, dizia-me: "o que vais tu fazer para Portugal se já lá não há dinheiro, pois deram cabo dos bancos?", e eu respondi-lhe que sempre havia de haver alguma coisa para comer e repartir com a família.
Fui eleito presidente da Junta e estive 24 anos como presidente. As obras de que mais me orgulho? Fico muito contente com construção e instalação do Centro de Dia e das pessoas idosas terem um local para estarem, serem atendidas, conviver. Estou contente de quase todas as ruas estarem calcetadas, talvez pudesse ter feito mais alguma coisa, mas daquilo que foi feito sinto-me orgulhoso.
Confesso que tinha grandes problemas em deixar a Junta pois receava que quem viesse não tivesse as mesmas ideias e a mesma dedicação em prol da freguesia, mas felizmente a CDU arranjou uma pessoa que dá todas as garantias e de quem tenho o maior regozijo de ver à frente da Junta."
As “Escadinhas do Ti Vara”
Ainda em vida, que é quando as homenagens devem ser feitas, José Lopes Valente Miguéns foi alvo de significativa homenagem. Uma rua do Pé da Serra passou a ter o seu nome. Lá está gravada no granito, a designação “Escadinhas do Ti Vara”, ali a dois passos da sede da Junta.
Homenagem singela que fica a perpetuar pelos tempos fora, o nome de um pé-de-serrense que se dedicou de alma e coração a trabalhar e a engrandecer a sua freguesia.
"Fiquei muito contente e com grande orgulho porque representou o reconhecimento de ter lutado por uma causa e também pela minha terra. Foi uma bela iniciativa do Dr. José Manuel Basso, a qual agradeço bastante, bem como a todas as pessoas, de todas as forças políticas que vieram nesse dia ao Pé da Serra."
O futuro da freguesia
Na altura, o futuro das freguesias, enquanto órgãos de poder local mais próximos das populações não estava, como hoje está, a ser posto em causa.
José Lopes Miguéns falava da “sua” freguesia com carinho e enlevo. Recordou a luta travada para vencer inúmeras barreiras burocráticas que impediam a concretização de obras essenciais, não obstante, deixou uma mensagem de esperança
"S. Simão como freguesia não se pode queixar muito. Têm sido feitas obras nos últimos anos, mas nem todos os problemas estão resolvidos. O principal, para mim, é a falta da qualidade da água. Agora tem havido em quantidade. Outro problema que é preciso resolver com urgência é o da rede viária. A freguesia tem, neste momento, as piores estradas e nem falo na Estrada da Vinagra que é, de facto, uma vergonha. Falta-nos um lar para os idosos e muitas das pessoas que podiam vir de Lisboa e de outros sítios para o Pé da Serra, acabam por ir para outras localidades. Com um lar muitas das pessoas reformadas e idosos regressariam à terra. Lanço um apelo para que haja mais vontade para resolver este problema."
Lembrar e homenagear o Dr. Chambel
A nossa conversa estava a chegar ao fim e o ti Vara, detentor de boa memória, não esqueceu alguns democratas que pereceram na voragem do tempo e do esquecimento, por parte da comunidade.
"O Dr. Chambel era um grande lutador pela Democracia, pelos direitos humanos e sofreu muito com isso. Lutou praticamente sozinho no nosso concelho para mudar o rumo às coisas, para que tivéssemos um governo eleito pelo povo, liberdade de opinião e reunião, por melhores condições de vida para os portugueses. Depois do 25 de Abril ninguém se lembrou dele, deixaram que a sua luta e o seu exemplo não fosse lembrado e devidamente homenageado. É preciso libertar a memória deste Homem como grande lutador pela democracia que o concelho de Nisa teve. É um acto de justiça."
A esperança não morre
José Lopes Valente Miguéns, o Ti Vara, partiu, há dias, do nosso convívio. Não chegou a ver nascer o Lar da freguesia. É pouco provável que alguma vez ele seja erguido.
A estrada da Vinagra deixou, entretanto, de ser uma “vergonha”. Está transitável, o Pé da Serra tem já a sua ETAR, o lagar fechou e está ao abandono, a freguesia e o concelho têm cada vez menos habitantes.
As políticas centralizadoras e de abandono do interior, condenaram a nossa região a uma morte anunciada, não tão lenta como seria espectável. O deserto avança a passos largos, mas na memória dos homens e dos lugares, os exemplos como os do Ti Vara ficarão a marcar, de forma indelével, a história de um tempo que foi de esperança e de luta, por um futuro melhor.
Obrigado, Zé Lopes!
Mário Mendes in "À Flor da Pele" - "Alto Alentejo" 11/4/2012

PORTALEGRE: Projeto “Cultura nas Freguesias”, muita música e animação nas Freguesias de Portalegre, de julho a setembro

A segunda edição do projeto “Cultura nas Freguesias” decorrerá de julho a setembro, tendo espetáculos nas sete freguesias do concelho de Por...