segunda-feira, 25 de julho de 2022

MEMÓRIA: Zeca Afonso nas Festas de S. Simão (1980)

 

Já aqui se disse: nos anos 70 e 80 não havia a profusão de meios tecnológicos hoje existentes. Poucos tinham máquinas fotográficas, o digital estava ainda a "anos-luz" e não admira, por isso, que não se conheçam registos fotográficos da actuação de José Afonso em Pé da Serra.
O próprio ano do espectáculo (1980?) não figura no "cartaz", um documento rudimentar, feito em "cima do joelho". Foi uma actuação a todos os títulos notável, não apenas pela presença do Zeca - já com alguns sintomas da doença que o viria a vitimar - mas pelo conjunto de artistas que com ele viajaram até ao extremo norte do Alentejo: Fausto, Júlio Pereira ( com uma das pernas engessada devido a acidente) e Janita Salomé.
Num largo das festas apinhado de gente, José Afonso cantou e falou (falou mais do que cantou) explicando as diferenças musicais e etnográficas entre algumas regiões do país, focando, naturalmente, o Alentejo (das saias e do cante) e a Beira Baixa (dos ferrinhos, bombos e adufes).
As fracas condições acústicas, o palco improvisado, a falta de meios técnicos - hoje abundantemente desfrutados por qualquer "artista pimba" - não retiraram brilhantismo ao espectáculo, antes contribuiu para aproximar os músicos e cantores do público.
Há 30 anos, o Pé da Serra já se destacava pela grandiosidade e colorido das suas festas tradicionais, trazendo até nós grandes artistas e excelentes espectáculos a que não faltavam uma grande participação popular. Foi esse o "cenário" que José Afonso e os seus amigos aqui encontraram e que hoje recordamos.
Aproveitamos a oportunidade para deixar um apelo: se alguém tiver alguma foto desta actuação, pedimos que as envie para publicação, desde já agradecendo a colaboração.

S. SIMÃO: Obras na Freguesia

A Câmara Municipal de Nisa, está a calcetar uma pequena parte rente à estrada entre o início da Rua da Escola e o fontanário.
A curva da estrada, junto ao campo de futebol, também já conhecida pela curva do "bate-bate", já foi cortada e alargada, faltando apenas ser calcetada ou levar o respectivo alcatrão.
No edifício onde funcionam a Junta de Freguesia e o Centro de Dia, o chão da sala no piso superior está em muito mau estado, vai ser arrancado e colocado outro de novo, cujos materiais serão suportados pela Junta de Freguesia e a mão de obra pela Câmara.
José Hilário - 3/1/2013

JOSÉ MIGUÉNS: Vida e memória de um resistente

José Lopes Valente Miguéns, o ti Vara, faleceu no passado dia 2 de Abril, numa instituição de Vila Velha de Ródão, onde se encontrava desde há algum tempo, após ter sido acometido de grave doença.
Morreu em Abril, o cidadão, o autarca, o militante comunista que mais fez pela sua terra e freguesia, S. Simão – Pé da Serra, após o 25 de Abril.
O povo da sua terra e do concelho de Nisa, que amou como poucos, tributou-lhe uma sentida e vibrante homenagem de despedida no dia seguinte, incorporando-se no seu funeral centenas e centenas de pessoas, amigos, autarcas, cidadãos anónimos de todo o concelho.
O seu percurso como cidadão, resistente e autarca foi devidamente assinalado pelo actual presidente da Junta de Freguesia de S. Simão, José Hilário, que destacou a dedicação, o dinamismo e o contributo de José Lopes Miguéns para o desenvolvimento da freguesia e na implantação de infra-estruturas básicas como a água, o saneamento básico e as vias de comunicação.
É este o “homem de Abril” que aqui evocamos, hoje, tendo como referência uma entrevista feita num fim de tarde de Verão, já lá vão uns anitos.
José Lopes Valente Miguéns, o Ti Vara, tinha 81 anos e um percurso de mais de 25 anos como autarca.
O Ti Vara, foi uma figura emblemática do Pé da Serra e de todo o extremo norte do concelho de Nisa, conversador nato, alegre, bem disposto, sempre disponível para trazer ao presente, histórias, relatos, memórias, que tanto podiam falar dos tempos difíceis da emigração e do salazarismo, como da "fama vermelha" do Pé da Serra.
Uma "fama" que, segundo alguns habitantes, sem razão de ser, apenas justificada pelo desejo de aprender de muitos jovens do seu tempo e pelo ostracismo a que a freguesia era votada pelos "senhores de Nisa".
Guardador de rebanhos
José Miguéns andou na escola no Pé da Serra onde fez a 4ª classe, tendo a D. Georgete como professora. Acabada a escola tomou o rumo de outros companheiros seus, fez-se à vida, que esta era dura e de poucos proventos. Foi para Cabeço de Vide, servir como empregado de balcão (caixeiro) numa mercearia e taberna. Esteve lá dois anos, em casa do senhor José Marcelino Malheiro, após o que voltou para o Pé da Serra. Aqui, aguardava-o o trabalho mais comum para uma criança feita homem em três tempos: a de guardador de vacas em Montes de Matos, função que desempenhou durante um ano. Na aldeia foi guardador de rebanhos, borregos, porcos, até completar a maioridade.
Era a vida de quase toda a gente nesse tempo e como se ganhava pouco, resolveu alistar-se como voluntário e assentar praça na vida militar, em Tomar. Andou na tropa um ano e alguns meses. Regressou ao ponto de partida, a sua aldeia encostada à serra de S. Miguel, onde continuou a trabalhar por conta de outrem, a cortar azinheiras e a fazer carvão.
Uma vida dura, a de carvoeiro, conforme teve ocasião de nos explicar.
"No Pé da Serra havia três ou quatro negociantes de carvão. Nós derrubávamos as azinheiras, cortávamos as pernadas e fazíamos os fornos, que eram feitos com terra. Depois eram desaterrados e tirávamos o carvão. Era um serviço de grande dureza. Nessa altura já estava casado. O carvão saía daqui com destino a vários sítios desde o Entroncamento, Lisboa, Castelo Branco e outras localidades. Havia muita procura desse material. Este trabalho era sazonal e no Inverno ia trabalhar para o lagar. Andei assim durante vários anos, até que meti na cabeça ir para França."
A "salto" rumo a França
Puxando pela memória, o "Ti Vara" conta as aventuras e desventuras da ida para a França, a salto.
"Demorámos 18 dias a chegar. Fomos abandonados pelo passador, durante três ou quatro dias, sem saber o que fazer, escondidos num barracão, a poucos quilómetros da fronteira espanhola, próximo de Medelim, mas, felizmente, não desesperámos e às tantas lá apareceu o homem com um camião que nos transportou Espanha adentro. No camião iam cento e tal pessoas, de várias terras do país, parecíamos sardinha em lata. Durante a viagem que demorou mais de 12 horas, nunca parámos nem para urinar, tínhamos que o fazer para dentro de um bidon. Quando chegámos a Hendaia, já na França, deram-nos um bilhete de comboio para irmos até Paris e que cada um se desenrascasse. Em Paris, numa grande cidade e sem perceber uma palavra de francês, lá consegui alugar um táxi que me foi pôr e ao outro camarada à região de Dijon, no departamento 21, onde havia malta do Pé da Serra. Um dos conterrâneos emprestou-me o dinheiro para pagar o táxi e o primeiro ordenado que recebi em França foi para lhe pagar a ele. Era assim que as coisas funcionavam. Lembro-me que paguei sete contos e quinhentos ao passador, o que era muito dinheiro naquela altura.
Comecei a trabalhar na agricultura, a tratar de gado. Depois fui para a construção civil como servente de pedreiro. Ali aprendi alguma coisa e comecei a desenrascar-me nalguns trabalhos nesta profissão".
Da França para a Alemanha
Estava dado o primeiro passo rumo à independência económica e a melhores condições de vida. Perdidas as reticências iniciais, José Miguéns ruma até à Alemanha.
"Na França não se ganhava mal, mas na Alemanha o ordenado e as condições ainda eram melhores. Arranjei um contrato de trabalho e fui para Colónia. As principais obras onde trabalhei eram as do Metropolitano. As dificuldades eram a língua, mas havia muitos portugueses e nós, uns com os outros, íamos desenrascando. Estive três anos na Alemanha, e gostava de trabalhar naquele país e depois tive de decidir porque a minha filha tinha saído professora e havia que escolher entre a Alemanha e Portugal, e assim regressei ao Pé da Serra, retomando a vida de pedreiro por conta própria.”
As ideias políticas
Próxima do Tejo e da raia, o Pé da Serra sempre foi uma terra de emigrantes e de contactos com outros povos, nomeadamente no período da guerra civil espanhola (1936-1939). Denominados como “montezinhos”, os seus habitantes não caíram nas boas graças do poder municipal de Nisa e daí a haver alguma discriminação e ostracização política foi um pequeno passo.
José Miguéns rejeita a ideia de a freguesia ter sido um centro de ideias revolucionárias, antes do 25 de Abril.
"Nós aqui não tínhamos, propriamente, ideias políticas. O que havia era uma malta que gostava de ler, de aprender, de se informar e depois começávamos a perguntar. Por outro lado, sentíamos que havia discriminação da Câmara de Nisa para com a freguesia de S. Simão. Até ao 25 de Abril, tínhamos uma estrada miserável, cheia de buracos, em terra batida. Não tínhamos praticamente mais nada e não se faziam aqui obras. Hoje, felizmente, é bem diferente..."
"O grande empurrão foi, sem dúvida, a campanha das eleições para a presidência do general Humberto Delgado. Aqui no Pé da Serra, o Humberto Delgado tinha muito apoio e estou convencido que perdemos as eleições, tanto aqui, como no país, porque houve "marosca". Eu andei a colar os cartazes da campanha, tinha montes deles em casa. Quando foi no dia das eleições, os elementos da mesa eleitoral, que vieram de Nisa não me deixaram entrar para fazer o meu trabalho de delegado. Eu sentei-me numa janela em frente à Junta e ia descarregando num papel, todas as pessoas que iam votar. Pelas minhas contas a vitória não falhava, mas as contas eram feitas de outra maneira...
Eu ia a Nisa buscar os cartazes que me dava o Dr. Chambel, um dos maiores democratas que Nisa tinha e foi tão injustamente esquecido, e um dia ele disse-me: " Ainda não foi desta vez que ganhámos, mas esteve quase. Para a próxima não falha, pois isto não pode assim continuar. Se todos fossem como tu, outro galo cantaria".
Havia alguma consciência política, de esquerda e em 1973, na Alemanha fui votar com a minha mulher na CDE, por correspondência, ao consulado de Dusseldorf.
Na Alemanha e antes do 25 de Abril estava já organizado, reuníamos na sede do DKP (Partido Comunista Alemão) e eu fazia a distribuição nos fins-de-semana ou após o trabalho, de exemplares do "Avante" aos nossos compatriotas."
O regresso e a eleição como autarca
Após o regresso da Alemanha, já com o "bichinho da política" e a liberdade alcançada, foi sem surpresa que José Miguéns se viu no papel de presidente da Junta de Freguesia.
"Quando vim para Portugal, foi engraçado porque um dos meus encarregados, alemão, dizia-me: "o que vais tu fazer para Portugal se já lá não há dinheiro, pois deram cabo dos bancos?", e eu respondi-lhe que sempre havia de haver alguma coisa para comer e repartir com a família.
Fui eleito presidente da Junta e estive 24 anos como presidente. As obras de que mais me orgulho? Fico muito contente com construção e instalação do Centro de Dia e das pessoas idosas terem um local para estarem, serem atendidas, conviver. Estou contente de quase todas as ruas estarem calcetadas, talvez pudesse ter feito mais alguma coisa, mas daquilo que foi feito sinto-me orgulhoso.
Confesso que tinha grandes problemas em deixar a Junta pois receava que quem viesse não tivesse as mesmas ideias e a mesma dedicação em prol da freguesia, mas felizmente a CDU arranjou uma pessoa que dá todas as garantias e de quem tenho o maior regozijo de ver à frente da Junta."
As “Escadinhas do Ti Vara”
Ainda em vida, que é quando as homenagens devem ser feitas, José Lopes Valente Miguéns foi alvo de significativa homenagem. Uma rua do Pé da Serra passou a ter o seu nome. Lá está gravada no granito, a designação “Escadinhas do Ti Vara”, ali a dois passos da sede da Junta.
Homenagem singela que fica a perpetuar pelos tempos fora, o nome de um pé-de-serrense que se dedicou de alma e coração a trabalhar e a engrandecer a sua freguesia.
"Fiquei muito contente e com grande orgulho porque representou o reconhecimento de ter lutado por uma causa e também pela minha terra. Foi uma bela iniciativa do Dr. José Manuel Basso, a qual agradeço bastante, bem como a todas as pessoas, de todas as forças políticas que vieram nesse dia ao Pé da Serra."
O futuro da freguesia
Na altura, o futuro das freguesias, enquanto órgãos de poder local mais próximos das populações não estava, como hoje está, a ser posto em causa.
José Lopes Miguéns falava da “sua” freguesia com carinho e enlevo. Recordou a luta travada para vencer inúmeras barreiras burocráticas que impediam a concretização de obras essenciais, não obstante, deixou uma mensagem de esperança
"S. Simão como freguesia não se pode queixar muito. Têm sido feitas obras nos últimos anos, mas nem todos os problemas estão resolvidos. O principal, para mim, é a falta da qualidade da água. Agora tem havido em quantidade. Outro problema que é preciso resolver com urgência é o da rede viária. A freguesia tem, neste momento, as piores estradas e nem falo na Estrada da Vinagra que é, de facto, uma vergonha. Falta-nos um lar para os idosos e muitas das pessoas que podiam vir de Lisboa e de outros sítios para o Pé da Serra, acabam por ir para outras localidades. Com um lar muitas das pessoas reformadas e idosos regressariam à terra. Lanço um apelo para que haja mais vontade para resolver este problema."
Lembrar e homenagear o Dr. Chambel
A nossa conversa estava a chegar ao fim e o ti Vara, detentor de boa memória, não esqueceu alguns democratas que pereceram na voragem do tempo e do esquecimento, por parte da comunidade.
"O Dr. Chambel era um grande lutador pela Democracia, pelos direitos humanos e sofreu muito com isso. Lutou praticamente sozinho no nosso concelho para mudar o rumo às coisas, para que tivéssemos um governo eleito pelo povo, liberdade de opinião e reunião, por melhores condições de vida para os portugueses. Depois do 25 de Abril ninguém se lembrou dele, deixaram que a sua luta e o seu exemplo não fosse lembrado e devidamente homenageado. É preciso libertar a memória deste Homem como grande lutador pela democracia que o concelho de Nisa teve. É um acto de justiça."
A esperança não morre
José Lopes Valente Miguéns, o Ti Vara, partiu, há dias, do nosso convívio. Não chegou a ver nascer o Lar da freguesia. É pouco provável que alguma vez ele seja erguido.
A estrada da Vinagra deixou, entretanto, de ser uma “vergonha”. Está transitável, o Pé da Serra tem já a sua ETAR, o lagar fechou e está ao abandono, a freguesia e o concelho têm cada vez menos habitantes.
As políticas centralizadoras e de abandono do interior, condenaram a nossa região a uma morte anunciada, não tão lenta como seria espectável. O deserto avança a passos largos, mas na memória dos homens e dos lugares, os exemplos como os do Ti Vara ficarão a marcar, de forma indelével, a história de um tempo que foi de esperança e de luta, por um futuro melhor.
Obrigado, Zé Lopes!
Mário Mendes in "À Flor da Pele" - "Alto Alentejo" 11/4/2012

MORREU O TI VARA!

Faleceu ontem, dia 2 de Abril, em Vila Velha de Ródão, o ti Vara.
José Lopes Valente Miguéns, natural do Pé da Serra, foi pedreiro, emigrante, homem de muitos ofícios, militante antifascista, comunista, presidente da Junta de Freguesia de S. Simão durante vários mandatos.
Foi, inquestionavelmente, um "Homem de Abril" e um devotado servidor da sua terra e freguesia.
Era, para além de tudo, um amigo. Um amigo daqueles a quem custa escrever umas palavras, mesmo para dizer-lhe, em jeito de despedida, que a sua vida, a sua luta por um mundo melhor, valeu a pena.
No lugar etéreo onde irá repousar bem pode orgulhar-se e dizer, como Pablo Neruda: "Confesso que Vivi!
Obrigado, camarada Vara pelo teu exemplo!
Mário Mendes
NR: O funeral realiza-se hoje, dia 3 de Abril, às 14,30h para o cemitério de Pé da Serra.

3 Abril 2012

domingo, 24 de julho de 2022

PÉ DA SERRA: Largo das Festas com "Pista de Dança"

Com projeto e direção do arquiteto Paulo Matos, foi recentemente concluida a obra no recinto no largo das festas, onde agora até os "pés de chumbo", hão-de parecer bailarinos do "Bolchoi".
O piso é de xisto rijo, em pedras fatiadas, colocadas em radiais a partir de um ponto fora do centro do circulo, causando um efeito muito agradável.
No sábado de Páscoa haverá uma inauguração condigna, onde pelas 15.oo horas atuará a Banda da Sociedade Musical Nisense, havendo de seguida bailarico tão do agrado destes montesinhos. A execução da obra esteve a cargo do calceteiro da Câmara sr. Maia.
Esta obra era necessária, permitindo agora não ser necessário a utilização dos pesados estrados de madeira.
A Junta de Freguesia de São Simão, agradece ao arquiteto Paulo Matos a oferta do projeto, assim como todo o acompanhamento da execução da referida obra, agradecimentos idênticos à Câmara Municipal de Nisa pela cedência de mão de obra.
José Hilário-Presidente da Junta de Freguesia de Simão

Nova ETAR quase concluída

 

A Estação de Tratamento de Águas Residuais de Pé da Serra está pronta a entrar em funcionamento, pondo fim a anos de suplício dos moradores que tinham de suportar os cheiros nauseabundos provocados pelo mau funcionamento e falta de limpeza da fossa séptica, à entrada da aldeia.
A nova ETAR com uma capacidade de tratamento de 34 m3/dia foi projectada para servir uma população de 220 habitantes e de acordo com os dados técnicos da obra, o tratamento preliminar será efectuado na Obra de Entrada e será constituído por operações de limitação de caudal, por intermédio de um descarregador de tempestade, gradagem para remoção de sólidos grosseiros, medição de caudal e por fim uma etapa de gradagem e desarenação para remoção de areias, através de um equipamento compacto.
O tratamento secundário numa ETAR por lamas activadas em arejamento prolongado será efectuado num tanque de arejamento, dimensionado para promover a remoção biológica da carga orgânica. Todas as operações que podem ocorrer num processo de lamas activadas, ocorrem, sequencialmente, em espaços diferentes sendo portanto esta tecnologia baseada no espaço físico.
A linha de tratamento de lamas consistirá no espessamento gravítico das lamas biológicas em excesso, num silo/espessador, seguido da sua desidratação utilizando um sistema móvel por centrifuga. No entanto, como medida de segurança foram previstos leitos de secagem que permitirão uma maior flexibilidade na exploração desta instalação.
De acordo com a entidade gestora do projecto, as águas residuais resultantes do tratamento serão descarregadas no meio receptor, o regato que conduz ao Ribeiro do Nizorro, “sem o afectar, respeitando o seu equilíbrio ecológico e o bem-estar da população.”
Mário Mendes in "Alto Alentejo" - 13/7/2011

PEDRO BAPTISTA: Filho ilustre de Pé da Serra

 
Pedro Batista, o cientista que está estudando e construindo um fígado, assunto amplamente divulgado, por toda a imprensa mundial, é descendente do Pé da Serra.
Seus pais e avós, residem na freguesia de São Simão, no Pé da Serra.
Seus avós, foram pequenos comerciantes e agricultores.
Seu pai está aposentado do Ministério das Finanças e sua mãe aposentada do Ministério da Educação.
A comunidade pé da serrense, espalhada pelos quatro cantos do mundo, está orgulhosa do filho ilustre que tem, o qual está desenvolvendo um trabalho notável e pioneiro na criação de fígados.
Rapaz inteligente, pacato, como é próprio das grandes personalidades, tem sempre mantido uma estreita ligação às suas origens.
Temos a certeza, que o seu nome ficará para sempre, indelevelmente ligado ao enorme avanço que toda a sua acção nesta matéria causará na evolução da medicina.
Na próxima época natalícia, não vai ter tempo para receber tantos abraços e parabéns dos familiares e amigos do Pé da Serra. Aqui lhe deixo já um convite muito especial: ir à lenha para o lume do Natal.
José Hilário
22 Novembro 2010

sábado, 23 de julho de 2022

Jovem Cientista tem raízes em Pé da Serra

 
Os bons fígados de Pedro Baptista: De Portalegre à Carolina do Norte para criar células hepáticas
Joseph Ernest Renan, filósofo e historiador francês, dissera: “Em todas as coisas humanas, são sobretudo dignas de estudo as origens”. Pé da Serra, a oito quilómetros de Nisa, em Portalegre, só conheceu os caminhos do progresso após o 25 de Abril, segundo os registos e talvez por ter sido calcetada pelo inconformismo durante tanto tempo.
Pedro Baptista – o jovem cientista português de 33 anos, que desenvolveu células hepáticas em laboratório, no Instituto de Medicina Regenerativa do Centro Médico Baptista da Universidade de Wake Forest, em Winston-Salem, na Carolina do Norte (E.U.A), uma espécie de ‘mini-fígados’ – revelou-se tenazmente contra a resignação e diz agora que não arredará o pé dali “enquanto não tentar o transplante”.
Este investigador, que frisa ser “um alentejano de gema”, tem percurso marcadamente lusitano e revelou ao «Ciência Hoje» (CH) que, após conseguir aquilo que se propõe [o transplante de um órgão completo], almeja que o futuro seja igualmente em terras lusas. Mudou-se para os Estados Unidos em 2004 para realizar o doutoramento e é um elemento do extinto programa de Biomedicina da Gulbenkian.
“Lembro-me perfeitamente do momento em que quis seguir esta área”, disse. E acrescentou que ao longo da constituição do ano académico, aquando de um dos temas dos seminários sobre Biologia do Desenvolvimento e Células Estaminais "foi quando o interesse se fixou”. “É isto, aquilo que realmente quero fazer”, exclamou.
Células hepáticas criadas em laboratório
O empenho aumentou com a procura de um laboratório onde pudesse criar um novo tecido ou órgão. Pedro Baptista licenciou-se em Farmácia, na Universidade de Lisboa e, como tal, desenvolver um fígado ou uma plataforma que o permitisse realizar novos testes farmacológicos ou toxicológicos (testar químicos usados na alimentação) são uma ambição crescente. Contudo, existem “muitas barreiras para conseguir recriar o órgão na sua totalidade, como o número de células necessárias (milhares de milhões),por falta de tecnologia”, sublinhou.
A actual alternativa é “obter hepatócitos [células encontradas no fígado capazes de sintetizar proteínas, usadas tanto para exportação como para sua própria manutenção] de alguns destes órgãos recolhidos para transplante – e já usados em terapias celulares – ou criar esta ‘bio- engineering’ do fígado”, sustentou ao CH.
Vantagens das células adultas
Para o cientista alentejano, a grande vantagem destas células humanas adultas, por serem maduras, é superior em relação às embrionárias, que são progenitoras. Estes avanços têm inúmeras aplicações para doenças metabólicas e hepáticas. “Nestes casos, as terapêuticas celulares são a maior solução”, revela.
Em situações de cirrose crónica, Pedro Baptista explicou que “o transplante é a única solução e terá ser um órgão saudável novo ou criado em laboratório”. Ainda, usar o modelo 'bio-engeneering’ no desenvolvimento de embriões humanos ou para estudos sobre o cancro, tal como já está a fazer com metástases do cólon, são outras possibilidades.
Entretanto, os mini-fígados têm 2,5 centímetros de diâmetro e pesam menos de seis gramas. Para serem utilizáveis, deveriam pesar pelo menos meio quilo e “uma vez transplantados, estes órgãos conservam a suas funções iniciais e vão ganhando outras à medida que se desenvolvem”. Depois de conseguir, “não sei a quem é que este trabalho poderá interessar”, mas “existem excelentes institutos em Portugal”, revelou. E não conteve de frisar algumas das suas preferências como: “o Instituto de Medicina Molecular, que tem medicina regenerativa; a própria Gulbenkian, em Biologia do Desenvolvimento; o Instituto Nacional de Engenharia Biomédica ou ainda os 3 B’s da Universidade do Minho”, concluiu. O estudo já foi publicado no jornal «Hepatology».
Marlene Moura in “Ciência Hoje” - www.cienciahoje.pt

22 Nov. 2010

Plenário de Cidadãos elegeu Junta de Freguesia

 
O executivo da Junta de Freguesia de S. Simão foi eleito no passado sábado, dia 17, em Plenário de Cidadãos.
No dia 11 de Outubro, os eleitores de S. Simão votaram para a Câmara e Assembleia Municipal de Nisa, não o podendo fazer para a Assembleia de Freguesia uma vez que a lei estabelece outro tipo de votação para as freguesias com menos de 150 eleitores.
Na reunião foi eleita ainda a mesa do Plenário de Cidadãos que, na prática, tem as mesmas competências da Assembleia de Freguesia.
Ao Plenário de Cidadãos apresentaram-se três listas. A lista A, conotada com a CDU, que venceu com 66 votos. A lista B, apoiada pelo PSD, que recolheu 12 votos e a lista C, afecta ao PS que obteve 28 votos.
José Miguéns Louro Hilário foi reeleito como presidente da Junta, Joaquim da Graça Martins Valente é o secretário e Júlio da Cruz Carrilho de Almeida, o tesoureiro.
Esmeralda Carrilho de Almeida ficou a presidir à Mesa do Plenário de Cidadãos, que tem João José Miguéns Carrilho e António de Almeida da Cruz Valente, como 1º e 2º secretários, respectivamente.
20 Outubro 2009

S. SIMÃO: Um pouco da sua história

 
  1. São Simão é uma freguesia portuguesa do concelho de Nisa, com 27,83 km² de área e 156 habitantes (2001). Densidade: 5,6 hab/km².
  2. Da época da colonização romana, é possível apreciar a existência de uma antiga ponte, fazendo-se indicação de que São Simão, nesse tempo, deveria já apresentar-se como um núcleo populacional de certa importância. Por alvará de 4 de Abril de 1555, segundo José Diniz da Graça Motta e Moura, na sua obra “Memória Histórica da Notável Vila de Niza”, institui-se “uma nova parochia da ermida de S. Simão, próximo da serra d’este nome”. A população de Nisa tinha registado um significativo aumento e havia necessidade de se proceder a uma reorganização em termos administrativos. Deste modo, D. Manuel para além de criar a paróquia de São Simão, procede também à fundação das paróquias de São Matias e do Espírito Santo. Na verdade, a paróquia da matriz, a única freguesia existente, no início do reinado de D. Manuel, tinha deixado de servir, de modo eficaz, toda a população de Nisa, e D. Manuel criando mais três paróquias, procura resolver este problema. Não obstante, apreciemos as verdadeiras palavras, usadas pelo autor citado, para explicar a criação da paróquia de São Simão: “E como os povos d’além da Ribeira de Niza ficaram a cargo da Matriz, e os beneficiados com a obrigação do coro não podiam desempenhar bem os deveres parochiaes, e era além d’isto muito gravoso aos parochianos ter a séde da freguesia tão distante de seus lares, que alguns ficavam a duas grandes leguas d’esta villa por caminhos quasi inaceitáveis e perigosos, institui-se uma nova parochia na ermida de S. Simão, próximo da serra d’este nome, por alavará de 4 de Abril de 1555, a que elles ficaram pertencendo.” 

A Igreja de São Simão, edificada num lugar ermo e desabitado, “nos princípios da monarchia para uso dos habitantes d’aqueles povos, que a cercam, que ali concorriam nos dias santificados a ouvir missa. Na provisão de 2 de Abril de 1555, mandando o bispo D. Julião d’Alva instituir n’ella provisoriamente uma freguesia, diz que é preciso, primeiro, reedifica-la, porque por sua muito antiguidade estava quasi demolida: foi na verdade reedificada, e depois acsrescentada fazendo-lhe dois altares laterais, um dedicado à Virgem do Rosário, e outro a Santo António, e nélla se estabeleceu definitivamente a parochia, que tomou o seu nome a ainda o conserva; Mas pelos anos de 1811, sendo demolida pelas tropas da guerra Peninsular, teve a freguezia de se mudar para a capella da Senhora do Rosário do Monte do é da Serra, onde continua, ficando a egreja servindo para cemitério, onde os parochianos são sepultados; e assim acabou esta egreja, que tantas gerações tinham frequentado e concorrido.” A antiga freguesia de São Simão de Pé da Serra foi vigairaria da Ordem de Cristo no termo de Nisa, à semelhança de outras freguesias do seu concelho. Graças à iniciativa do monarca D. Dinis, que não esquecendo o seu extraordinário papel levado a cabo no âmbito do processo da reconquista, a primitiva Ordem dos Templários, depois da contenda em torno da possibilidade de ter que ser extinta, continuou a existir em Portugal, embora com o nome da Ordem de Cristo e os seus bens não lhe foram confiscados. Foi-lhe, desse modo, permitido dar continuidade ao exercício de formação cultural das suas gentes, cujas terras estavam sob a sua tutela, como é o caso de São Simão. Segundo Pinho Leal, “O rei, pelo tribunal da mesa de consciência e ordens, apresentava o vigário, que tinha 120 alqueires de trigo, 120 de cevada, e 12$000 reis em dinheiro, de rendimento annual.” Em 1768, tinha 111 fogos, aparecendo na comarca de Castelo Branco, em 1839, e na comarca de Nisa, em 1862. Américo Costa no seu Dicionário Corográfico compunha-a dos seguintes lugares: Arneiro, Atalho, Corga, Duque, Feteira, Monte Cimeiro, Monte do Arneiro, Monte Novo, Pardo, Porto do Fojo, Póvoa e Vinagra. A Grande Enciclopédia Portuguesa Brasileira apresenta-a como compreendendo os lugares de: Arneira, Duque, Monte Cimeiro e Monte do Pardo, Pé da Serra e Vinagra. A freguesia de São Simão, na “Memória Histórica da Notável Vila de Nisa”, aparece ainda descrita como possuindo a capela de Santa Ana, fundada por Manuel Lopes, e seu filho, o padre Domingos Lopes, no ano de 1772. Tinha um cemitério contíguo, construído por volta de meados do século XIX. Uma outra capela, de grande devoção e concorrência para os povos da freguesia de São Simão, era a do Arcanjo São Miguel, edificada no cume da serra que lhe dera o nome. Nessa capela era realizado um arraial, no dia 8 de Maio. Ao que parece, a dita capela era antiquíssima e, no ano de 1572, por se achar em tão evidente estado de pobreza, frei Adão Vaz doou-lhe por sua morte uma grande courela de safra na folha da Pedra da Cera, para com o seu rendimento, se fazer a sua conservação e restauro, ficando a administração a cargo do vigário da matriz.
in http://tiagomoura.blogspot.com
16 Setembro 2009

Memória Histórica do concelho de Nisa

 
Sessão camarária de 13 de Março de 1877
Também foi presente um officio do Presidente de Parochia de S. Simão trazendo adjunto um requerimento do doutor José da Graça Pereira Roza, que a Camara lhe tinha enviado para que a Junta informasse sobre a pretenção do requerente, em que pede para mudar um atravessadouro que passa junto a uma sua tapada, que pega com a capella de Sanatana.
A Junta informa que nenhum inconveniente há para o público a concessão do pedido e a Câmara em vista da resposta da Junta, deliberou conceder-lhe a licença pedida.
5 Agosto 2009


Naturais da freguesia de S. Simão visitaram o Alto Minho


Realizou-se no dia 19 de Julho de 2009, o tradicional passeio de Verão, da Junta de Freguesia de São Simão. Este ano a viagem foi a Viana do Castelo e parte do Alto-Minho. Começamos por visitar a igreja de Santa Luzia, regalar a vista sobre toda a cidade, e o belo rio Lima. Aqui deve ser um dos poucos locais seguiu-se uma ligeira visita por diversos pontos da cidade, onde a igreja da Senhora da Agonia mereceu honras especiais. A cidade está bastante maior, continua limpa e bonita.
José Hilário
23 Julho 2009

PÉ DA SERRA: Pintura da Igreja

 
Está em curso a pintura exterior, da igreja de Nossa Senhora do Rosário, a qual se apresentava com uma grande necessidade de conservação e embelezamento.
15 Julho 2009

Actividades para séniores na Freguesia de São Simão


Numa iniciativa da Câmara Municipal de Nisa, com a colaboração da Junta de Freguesia de São Simão, continuam as aulas de ginástica na sede do Centro Cultural e Recreativo “Os Amigos do Pé da Serra”, todas as segundas-feiras das 10.45 às 11.45 horas. Às quintas-feiras na piscina coberta da Câmara, em Nisa, com exercícios no meio aquático, complementa-se o vigor físico num ambiente altamente descontraído e muito agradável.
No primeiro dia de Junho, trinta e três elementos da “Actividade Sénior”, reuniram-se num almoço de confraternização, tendo como convidados de honra os professores.
12 Junho 2009

Convívio entre as freguesias de S. Simão e S. Matias



Realizou-se no dia 1 de Maio de 2009, o nono convívio entre as freguesias de São Simão e São Matias, tendo sempre como principal objectivo recordar os casamentos que se realizaram entre vários elementos destas freguesias, nos anos cinquenta do século passado, no qual o futebol foi o principal responsável por estes enlaces. A organização esteve a cargo da Direcção do Centro Cultural e Recreativo “Amigos do Pé da Serra”, com a colaboração da Junta de Freguesia de São Simão.
Nessa época, trocaram-se ainda entre as populações do Monte Claro e do Pé da Serra algumas representações teatrais, bem ao sabor da época e do agrado de ambas as partes.
O jogo de futebol serve unicamente de pretexto, para anteceder um bom e tradicional almoço, na sede dos "Amigos do Pé da Serra".
Perante uma assistência entusiasmada e fervorosa, desta vez a vitória pertenceu aos "Leões da Serra" por 4-1, tendo mais uma vez, o melhor golo sido apontado pelo ponta de lança João Martinho, da equipa vistante, vindo posteriormente a revelar também os seus dotes como acordeonista em "play back", numa arruada, pelas artérias do Pé da Serra, onde as "saias" tradicionais fizeram com que as mulheres viessem à porta da rua com um sorriso nos lábios, recordar tempos que já lá vão. Um recado para alguns elementos de ambas as freguesias: Qualquer dia, temos de cantar a cantiga “Como a rola ninguém canta”. Talvez para o ano...Está bem?
José Hilário - 12 Maio 2009

Quando a net encurta distâncias...


Senhores do Jornal de Nisa:
Meu nome é Omar Ruben TREMOCEIRO, neto de Francisco Carrilho Tremoceiro, quem em vida fora irmao de Adriano Carrilho Tremoceiro, nasci e sou Argentino, mas nos ultimos dias obtuve a cidadania Portuguesa, faz tempo que estou procurando informaçao de meus familiares em Portugal, muito agradeceria voces podam me contatar con Paula Carrilho ou outras das pessoas que reuniramse com motivo do homenagem realizada no passado sábado, dia 1 de Novembro, assinalado uma das ruas da sua aldeia natal, a Vinagra.
Podem ligar comigo pelo correio saosimao@hotmail.com ou tel. XXXXXXXXX
Com meus cumprimentos saludo voces e felicito pelo conteudo do seu site na web e por encher meu coraçao com noticias da minha terra, o Portugal de meu avo.
21 Novembro 2008


quarta-feira, 20 de julho de 2022

Dia 1 de Novembro- Vinagra e Pé da Serra em festa

O pavilhão gimnodesportivo de Nisa, está solicitado pela Junta de Freguesia de São Simão, à Câmara Municipal de Nisa, para a realização de um encontro de futebol de cinco, para o dia 1 de Novembro (sábado) às 15 horas, entre equipas de jovens descendentes do Pé da Serra, residentes na área da grande Lisboa.
Às 12 horas na Vinagra, será inaugurada com pompa e circunstância, a toponímica das respectivas ruas, sendo atribuídos os nomes de Adriano Carrilho Tremoceiro e de São Simão, a duas ruas da aldeia.
Durante a tarde no Pé da Serra, a Associação de Caça de São Simão oferece a toda a população e visitantes, um delicioso porco assado no espeto, nas instalações do Centro Cultural e Recreativo "Os Amigos do Pé da Serra", associação que, por sua vez, contribui com as castanhas, agua-pé, petiscos e a tradicional bailarada, a cargo de um famoso acordeonista da região.
Sábado, dia 1 de Novembro, a freguesia de S. Simão (Nisa) espera pela sua visita.

28 Outubro 2008

terça-feira, 19 de julho de 2022

Inauguração da toponímia da Vinagra

 
1 DE NOVEMBRO - S. SIMÃO EM FESTA
No dia 1 de Novembro, a partir das 10 horas, será feita a inauguração, com o descerramento das respectivas lápides, dos nomes das ruas que passarão a vigorar na aldeia da Vinagra.
Como foi noticiado oportunamente, foram escolhidos os nomes de Adriano Carrilho Tremoceiro, por proposta do actual presidente da Junta, e o de S. Simão, padroeiro da freguesia, este sob proposta de Paula Carrilho, eleita na Assembleia, sendo ambos aprovados por unanimidade em sessão deste órgão deliberativo de freguesia.
O evento servirá igualmente para evocar a figura de um cidadão nascido nesta aldeia, na rua que passará a ostentar o nome de Adriano Carrilho Tremoceiro.
Autarca e cidadão interveniente
O senhor Adriano Carrilho Tremoceiro, nasceu na localidade da Vinagra, freguesia de São Simão, em 1914 e faleceu em Nisa, no Lar da Santa Casa da Misericórdia, em 2006.
Foi funcionário da Companhia Carris de Lisboa, reformou-se ainda novo, tendo regressado ao Pé da Serra e passando de imediato a tomar parte activa do quotidiano desta freguesia e das suas gentes.
Homem culto, afável, amigo de todos, fez parte da Junta de Freguesia de São Simão, após o 25 de Abril de 1974, foi gerente do lagar de Pé da Serra durante vários anos e era uma pessoa que sempre tivemos como referência.
Durante o tempo que residiu com sua esposa, na Santa Casa da Misericórdia de Nisa, legou a esta, algumas ofertas de valor significativo, à boa maneira do fundador, desta prestimosa instituição.
in "Jornal de Nisa" - nº 264 - 8/10/08

CONTOS DA ALDEIA: O Sacristão Isaías e o Padre Bonifácio

Ninguém por estas redondezas, tinha um coração maior que o mestre alfaiate. Sempre teve a casa cheia de gente, tagarelando, falando das dificuldades da vida, enquanto ele ia talhando um fato, dando uns pontos num casaco ou ajeitando as bainhas de umas calças de surrobeco ou pondo umas brasas no ferro de engomar. Aprendizes da arte de alfaiate tinha-os em diversos escalões etários, onde cada um ia desenvolvendo e demonstrando as suas aptidões, tendo como principal objectivo, a fuga à picareta e à enxada.
Toda a gente gostava dele e ele gostava de toda a gente. Nunca se zangava, fosse com quem fosse, mesmo quando algum freguês já sem paciência, por não lhe ter fato pronto, o tratava mal, vendo jeitos de ter que ir a ser padrinho com o fato velho.
Como o já lendário e velhote sacristão, foi chamado à presença divina, sem ninguém esperar, o senhor padre Bonifácio ficou sem saber, a quem havia de recorrer para o ajudar nas coisas do céu, pois a maioria do seus paroquianos, mourejavam de sol a sol, no campo, lavrando, semeando, ceifando e debulhando, durante uma semana inteira, folgando apenas aos domingos, pela tardinha.
A única pessoa, depois de muito pensar, que ele encontrou, foi o mestre alfaiate.
Logo que teve oportunidade, entrou-lhe pela porta dentro, depois de uma saudação muito amistosa, disse-lhe ao que o ali o levava.
- Mestre alfaiate, como sabe faleceu há poucos dias, o senhor Pires, amigo e antigo sacristão. -Venho convidá-lo para exercer essa função, pois acho que o senhor é a pessoa indicada e das únicas que está quase sempre disponível, trabalha por conta própria, tem um bom feitio e todo o povo acha que é a pessoa indicada, para o desempenho desta função.
- Oh, senhor prior, peço-lhe desculpa, mas não posso aceitar, não tenho jeito para essas coisas e sinto até algumas dificuldades em acompanhar um funeral.
-Vai ver que, é como todas as coisas, uma questão de hábito. E, além disso, a função do sacristão, não é só ir à frente num funeral com a cruz.
- Além das missas e funerais, temos baptizados e casamentos, onde como sabe, somos sempre convidados de honra, para a mesa grave.
-Pois é, mas eu nem sequer sei rezar um padre-nosso ou uma Avé - Maria.
-Isso ensino-lhe eu, em dois tempos, - retorquiu o padre, serenamente.
Mestre alfaiate, com estas razões, apresentadas pelo senhor prior ficou indeciso, sem saber para que lado havia de tombar.
Como gostava de beber uns copinhos, e o senhor prior também, talvez não fosse má ideia aceitar e tinha a impressão que se iam dar muito bem.
Quando o senhor prior o visitou pela segunda vez e lhe começou a conversa, ainda arranjou alguns argumentos, mas de fraca convicção, acabando por aceitar.
Sempre foi um sacristão desajeitado, não tinha mesmo vocação para tal função. Enganava-se nos procedimentos, as palavras não lhe saíam com a devida fluência, mas tudo lhe era desculpado devido ao seu bom feitio.
Em Dezembro e Janeiro, em todos os lares da aldeia, era um ritual antigo, proceder-se à matança do porco e à cura dos enchidos respectivos.
Chouriços, linguiças morcelas, paio, farinheiras, mouras, cacholeiras,enfiados em varas compridas no fumeiro, por cima do lume de chão, todos se abanavam quando o calor e o fumo lhes chegavam por perto. Era uma boa altura para fazer uma visita, aos paroquianos mais abastados, quer na fé quer no fumeiro, beber uns copinhos, sem ser de caixão à cova e ainda levar qualquer coisa pró caminho. Era Janeiro, já bem tratados e aviados, em casa da senhora Maria dos Santos, esta enquanto se foi despedindo, escolheu do melhor que tinha no fumeiro, cortou a baraça a duas peças de cada qualidade, meteu-as numa típica bolsa de pano e disse ao senhor prior:
- Faça-me um favor senhor padre Bonifácio, leva esta oferta para a festa do Mártir Santo, em Nisa, que é brevemente.
- Como queira D. Maria. Agradeceu e retirou-se, com a “malvada” cheia e os “cágados” quentes.
Durante a semana foram saboreando as iguarias, com um tinto da adega, nunca mais se lembraram da festa do Mártir Santo, mas quando o material ia quase de resto, o sacristão lembrou-lhe: -Senhor prior e o Mártir Santo? Eu tenho a certeza que ele não é apreciador de carne de porco, é preciso é que D. Maria não se vá lá confessar.
Na oficina de mestre alfaiate, reunia-se toda a população, em especial nos dias de chuva, quando não era permitido o trabalho do campo. Conversas sobre as coisas mais simples, que se passavam na aldeia, onde qualquer acontecimento servia de tema e de discussão.
"Isto é que vai aí um tempo, chuva e mais chuva, anda meio Pé da Serra constipado, - afirmou o “ti” Artur, homem que mourejava, desde que o Sol nascia, até se pôr, sendo a chuva o único elemento, que lhe proporcionava estar de costas direitas.
Fosse Domingo ou dia Santo, nunca pôs as botas numa taberna.
"Não bebem - afirmou o mestre alfaiate - "se bebessem…
E verdade se diga, nem mestre alfaiate, nem o senhor prior, nunca nas suas vidas se constiparam.
" Essa é boa! -disse o Baptista. "Olha, o “Barbeta”, chega-lhe bem e ainda ontem cá veio o doutor Carlos Gonçalves a vê-lo. Há dois dias que está de cama."
Mestre alfaiate, tirou o dedal, deixou ficar a agulha a marcar a manga do casaco, olhou os presentes e afirmou categoricamente: "Isso foi ele que ficou algum dia sem beber".
Risada geral, com alguns comentários de caçoada.
José Hilário

IMAGEM - Governo à missa - Cartoons de Henrique MOnteiro - 8/7/2013

JORNADA DE PROTESTO CONTRA A EXPLORAÇÃO DO URÂNIO

19 de Outubro em Nisa
O MUNN - Movimento Urânio em Nisa Não, com a colaboração da CMN - Câmara Municipal de Nisa, ADN – Associação para o Desenvolvimento de Nisa, Nisa.Com – Associação Comercial do Concelho de Nisa, Terra – Associação de Desenvolvimento Rural de Nisa, Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza e Comissão de Ex-trabalhadores da ENU – Empresa Nacional de Urânio, vai promover no próximo dia 19 de Outubro (Domingo), uma JORNADA DE PROTESTO contra a exploração de urânio no Concelho de Nisa.
Assim, entre as 9,30 h e as 11,30 h, no Cine Teatro de Nisa, irá decorrer uma Tribuna Cívica, com a participação da Comissão dos Ex-Trabalhadores da ENU e coordenada pelo CES – Universidade de Coimbra, onde reconhecidos juristas, prestigiados académicos e outras personalidades convidadas efectuarão o balanço e aprovarão conclusões relativamente à exploração de urânio em Portugal, a que se seguirá a Marcha da Indignação até à jazida de urânio situada entre as Freguesias urbanas da Vila de Nisa (Nossa Senhora da Graça e Espírito Santo) e a Freguesia de S. Matias.
Os objectivos de tal Jornada, além da sensibilização das populações locais e limítrofes para os riscos que a eventual exploração de urânio comportará, visam ainda prevenir o País e o Governo, por um lado para o grave impacte que daí ocorrerá, por outro para a incompreensível desconsideração humana que tal decisão pressuporá e, por último, para o facto do modelo de desenvolvimento, investimentos em curso e economia local do Concelho de Nisa e envolvente não serem compatíveis com a exploração de urânio ou quaisquer outras agressões ambientais.
12 Outubro 2008

Residentes na freguesia em Excursão a Aveiro

Organizada pela Junta de Freguesia de S. Simão e com o apoio da Câmara Municipal, que cede o autocarro, realiza-se no próximo sábado, dia 11 de Outubro, uma excursão à zona de Aveiro e Ílhavo.
A partida está marcada para as 6,30h no Ribeirinho e a chegada a Aveiro prevista para as 11 horas, havendo um passeio e almoço.
De tarde, a excursão seguirá para Ílhavo para uma visita guiada que incluirá o Museu e loja da fábrica de porcelanas Vista Alegre e capela.
No passeio está previsto ainda uma passagem pela praia de Mira /Figueira da Foz, consoante as condições climatéricas e de horário o permitam.
As pessoas interessadas devem fazer as inscrições até ao dia 8 de Outubro.
in "Jornal de Nisa" - nº 264 - 8/10/08

José(s) da freguesia em convívio

No dia 14 de Agosto, os José(s) da freguesia de S. Simão, naturais e residentes, reuniram-se num almoço convívio bastante participado e que juntou 17 indivíduos com o nome de José, entre eles dois conhecidos autarcas, o anterior e o actual presidente da Junta, José Miguèns (ti Vara) e José Hilário.
O almoço realizou-se no salão de festas dos Amigos do Pé da Serra e constou de leitão da bairrada, vinho bruto, queijo de Nisa, fruta e café.
Um dia bem passado e de confraternização e que na altura certa terá a devida repetição.
19 Agosto 2008

domingo, 17 de julho de 2022

Histórias da Aldeia: A licença

Era fatal como o destino. Quanto menos ganhavam, mais filhos tinham e a pobreza aumentava. Geralmente, o homem era o único “ganha-pão” do lar. Ele tinha que ter arte e manhas, para angariar mais alguns proventos, para ir sustentando a mulher e um rancho de filhos.
A profissão de pastor, ajustado por um ano, no dia de S. Pedro, único dia de folga dos pastores, e quando mudavam de patrão, era quando se juntavam todos os pastores numa almoçarada, bem regada e que na maior parte das vezes funcionava o cajado de zambujeiro, do Luciano, no “lombo” dos menos capazes, na arte de luta corpo a corpo, ou quando as opiniões dos outros não eram coincidentes com as suas.
Luciano, homem atarracado, fervia em pouca água, quase sempre arranjava sarilhos, à mais pequena dúvida, gerava discussão e terminava numa briga e por diversas vezes teve de “sentar o cu no moucho”.
Era temido pelos camaradas de profissão e pela população em geral.
O seu cajado de zambujeiro tinha fama.
Na malhada, manhã cedo, ainda o Sol dormia a sono solto, toca deixar as mantas da choça, ordenhar o gado, e ala que se faz tarde, visto ter sempre mais qualquer coisa para fazer, consoante a época do ano.
Apanhar pássaros, coelhos, lebres e perdizes, sem ter licença e fora da época de permissão, era para ele como beber água fresca, numa tarde de Julho, numa fonte qualquer, pelos campos do azinhal, ou por ribeiros e vales da freguesia de São Simão.
A Guarda Nacional Republicana, bem o espreitava, mas ele escapava-se como enguia dentro de água, nas mãos de uma criança.
Diz o povo e com razão que a necessidade aguça o engenho.
Em casa havia pobreza, mas também havia alguma riqueza, de iguarias, com tudo o que conseguia arranjar extraordinariamente, mesmo sem fazer horas extraordinárias.
Natural do Coxerro, aldeia do concelho de Vila Velha de Ródão, o senhor Joaquim, mais tarde apelidado de Joaquim das águas, por exercer a profissão de guarda-rios, instalou-se na Vinagra e todos os dias, zelosamente cumpria o seu dever percorrendo a ribeira de Nisa, o ribeiro da Salavessa e todas as linhas de água mais importantes. Ninguém podia mexer uma pedra que fosse, numa linha de água, sem a respectiva licença.
O guarda-rios sabia que o Luciano era permanentemente um transgressor nato, mas deitar-lhe a mão, aí é que a “porca torcia o rabo”.
Dava mil voltas à cabeça, mas não havia maneira de encontrar uma solução. Tentou por diversas vezes apanhá-lo em flagrante, mas o velhaco do Luciano tinha olhos de águia, ouvidos de rato e olfacto de cão perdigueiro.
Os caçadores às rolas, deixaram abandonado, um pequeno esconderijo, junto ao açude do “ti Moleiro”, na ribeira de Nisa, onde as rolas iam beber água no Verão e foi aí que o dedicado Joaquim das águas, o espreitou e esperou durante semanas seguidas.
O bom do Luciano, numa tarde tórrida de Julho, com o gado acarrado, debaixo dos choupos, resolveu ir fazer a sua pescaria, utilizando apenas a sua arte de pescador. Despiu as calças e a camisa, colocando-as à sombra de um pequeno arbusto e na pequena praia de areia grossa, deixou estendido o seu inseparável companheiro, ficando apenas com as ceroulas vestidas, não vendo mal algum na sua quase nudez, pois só se ouvia o zumbido das cigarras, não se vislumbrava alma viva em todo o vale da ribeira. Lá foi mergulhando e debaixo de cada lapa encontrava um barbo.
Após o terceiro mergulho, com um peixe em cada mão, pergunta-lhe o guarda-rios do outro lado da ribeira:
-Ó Luciano, com que então vai boa a pescaria? Mostra-me lá a licença de pesca!
O Luciano, ao mesmo tempo que metia os peixes na saca, responde-lhe secamente:
Olha-a além estendida no areal.
O guarda-rios “deu às de vila-diogo”, mais ligeiro que um sargento de infantaria.
José Hilário

PORTALEGRE: Projeto “Cultura nas Freguesias”, muita música e animação nas Freguesias de Portalegre, de julho a setembro

A segunda edição do projeto “Cultura nas Freguesias” decorrerá de julho a setembro, tendo espetáculos nas sete freguesias do concelho de Por...